Para quem está acostumado a andar no caótico metrô carioca ou nos trens da Supervia, sabe-se que existe uma lei estadual aprovado na assembléia legislativa e sancionada pela Rosinha Garotinho em meados de 2006, uma lei que obriga trens e metrôs do estado do Rio de Janeiro a reservarem um vagão apenas para as mulheres nos dias úteis das 6h às 9h e das 17h às 20h. Ou seja, nenhum homem pode entrar nestes vagões nestes horários. O objetivo desta lei, segundo o deputado estadual, Jorge Picciani (quem promulgou a lei), é para reduzir os casos de assédio sexual em trens e metrôs e que as mesmas se sintam seguras nos vagões reservado para elas.Só que muito pelo contrário que o Picciani esperava, esta lei equivocada está simplesmente provocando ainda mais o caos e histeria no sistema de tranportes. Ela também contribui para a segregação social, além de ser inconstitucional, pois a constituição garante o direito de ir e vir de todo o cidadão brasileiro independente de sexo, raça ou crença.
Fazendo assim, o estado estaria repetindo os mesmos atos que os EUA fizeram com os negros nas década de 1950 e 1960. Assim como também está manchando conquistas que as mulheres realizaram durante anos. É lamentável saber que não houve nenhuma mobilização contra esta lei absurda e anti-social. Acho que se o Picciani fizesse esta mesma lei para negros, favelados ou homossexuais, com certeza a Avenida Rio Branco e a Praia de Copacabana estariam fechadas para manifestações e protestos já no dia seguinte. Talvez a sociedade carioca reflita sobre isso e vai entender que isso, na verdade isso não acrescenta em nada.
E a respeito dos assédios sexuais, quero que saiba que não houve nenhuma redução significativa deste tipo de delito, o que quer dizer que esta lei é ineficiente. Sei que este post é um belo de um banho de água fria nas mulheres que defenderam sumariamente esta lei, especialmente as que foram assediadas. Mas vale pensar que se dividir a sociedade gera um problema gravíssimo, enquanto o assédio continua crescente, pois existem outras formas muito melhores para se combater o assédio sexual em transportes de massa. Porque respeito é bom e todos merecem!
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8 comentários:
Rio de Janeiro, 02 de Abril 2009
Fábio Absurdo é a mulher ter que acordar cedo pra trabalhar, depender dos transportes publicos e ainda ser molestada.
Absurdo e um desses caras que são chamados de homens. Ainda se sentirem no direito de gozar em nossas roupas...
Absurdo é na maioria das vezes a gente nem ter pra onde correr...
Absurdo é acontecer de varias mulheres até sairem sujas de (porra) dentro desses vagões...
Absurdo seria a sua mulher ( se é que você tem ou ate mesmo a sua mãe ou sua filha passando por uma situação dessa.
Absurdo é a gente querer escrever bonito e não fazer nada para tentar mudar essa situação...
Eu sempre venho no vagão das mulheres,
Só aqui no Brasil que existe essa lei.
Mas você é homem e deve saber muito bem por quê?
Sem Mais,
Luciana Motta
motta646@hotmail.com
Cara Luciana,
Entendo a situação em que se encontra a respeito do assédio sexual dentro dos transportes públicos e sei o quanto e contrangedor esta situação. Mas entenda que segregação social não é a solução para combater isso.
Não sei se você tem lido o texto todo, mas sabia por que que os brancos dos EUA (na década de 60) denfendiam que seja um ônibus para os negros e um ônibus para os brancos? Porque para os brancos dos EUA daquela época (e ainda hoje também), todo negro é ladrão, bandido, traficante, abusado, mal educado e tudo de ruim. E qual é a diferença com a sua opinião que você apresentou? Nenhuma. Simplesmente mudou o alvo do preconceito, pois infelizmente muitas mulheres acham que todo homem é tarado, pervetido, etc, como você mesma mostrou neste comentário.
Por fim, vale lembrar que o mesmo preconceito que não nos permitiu que os brancos podem fazer as mesmas atitudes do que acham que todos os negros fazem é o mesmo preconceito que não mostra que existem mulheres que também fazem o mesmo dentro do carro das mulheres.
Então, Luciana, não é por causa de meia dúzia de pervetidos que andam de metrô que todos os homens do Brasil devam receber a punição. Isso tira o direito de ir e vir e fere sensivelmente a democracia.
Agradeço pela visita.
Fábio Valentim.
Rio de Janeiro 03 de Abril de 2009
Fábio, Não falando de raça, e muito menos dos Estados Unidos. Estou falando do Brasil, estou falando de assédio sexual.
Eu sempre ando no vagão das mulheres e na minha vida melhorou e muito.
Fábio não adianta falar dos Estados Unidos porque eles não estão nem ai para nós brasileiros.
Já que você é tão critico apresenta uma proposta melhor para amenizar essa situação.
Criticar é muito facil dificil é resolver.
Infelizmente ou felizmente você é homem, pois se fosse mulher teria uma outra visão. pois só quem sofre na pele sabe como é.
Espero que suas familia ( no caso as mulheres ) nunca passem por uma situação dessa, é que não dependa dos transportes publicos para se locomover.
Me desculpe o desabafo...
Luciana motta
motta646@hotmail.com
Não é só no Brasil, Luciana. Existem leis parecidas no Catar. no Egito, na Índia... ou seja, em um monte de países em que se acredita que a "honra" feminina deva ser "protegida" pelo estado.
O que talvez só aconteça no Brasil é um bando de feministóide que pouco está lixando para igualdade defender esta lei como se fosse um projeto igualitário.
Daniel palavras o vento leva, feministóide, projeto igualitário blá blá blá isso não me importa.
Com certeza você deve ter mulher ou até mesmo filha. Imagina elas dentro de um mêtro lotado vem um safado e passa o pênis atrás delas. Como você reagiria? Não adianta ficar escrevendo bonito, a realidade é outra só quem passa sabe.
Por tanto Deus queira que não. Mas quando acontecer isso com alguém que você ama a gente volta à conversar.
Ah! Parecidas não são iguais.
Ou são?
Att,
Luciana Motta.
Luciana, o que você diz não faz o menor sentido. Em qualquer local uma mulher pode ser sexualmente assediada por um homem, não apenas nos metrôs. Devemos, então, segregar todos os locais públicos por sexo e talvez ainda criar uma lei que obrigue locais privados a fazerem o mesmo? Isso seria um absurdo, além de completamente inconstitucional, assim como a lei do vagão para mulheres.
Como você insiste que a crítica DEVE vir junto a uma proposta de melhora (uma visão precipitada, geralmente apoiada na falta de argumentação), proponho uma solução alternativa: instalação de câmeras de vídeo em todos os vagões. Assim, quando uma mulher assediada fosse dar ocorrência do fato, saberia-se quando e onde ela estava, então analisariam-se as câmeras e, junto a um exame de corpo de delito, haveria, então, provas suficientes para a acusação do homem após ser identificado. Não gostou? Sua vez de propôr uma solução alternativa.
Roberto
Caro Valentim,
Causa estranheza a sua revolta quanto a separações de vagões. Mais estranho é ouvi-lo dizer que vagões de metrô (E SOMENTE ISSO) reservados para mulheres em 2 horários de rush em dias úteis é um fator de segregação social. Sua comparação entre a lei estadual e o aparteid é risivel.
Quem gosta de vagão misto
Preterindo o separado
Tem um instinto secreto
De todo cabra tarado
Roça frente e roça bunda
E com a cara mais imunda
Ainda é bem abusado
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